A crise económica de 2020: Pobreza global, desemprego e desespero

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Por: Michel Chossudovsky

Estamos indubitavelmente a viver uma das mais graves crises económicas e sociais da história moderna. De certo modo, estamos a viver história e somos incapazes de compreender a lógica da pandemia do coronavírus.

O que está em causa é o pretexto e a justificação para o encerramento de economias nacionais à escala mundial com base em preocupações de saúde pública.

Temos de entender as causalidades. Encerrar uma economia, nacionalmente e globalmente não resolver a pandemia. De facto, isto cria uma situação de instabilidade institucional.

Isto resulta também em desemprego maciço, confinamento de pessoas nas suas casas, sem emprego, sem alimento… Que é o que estamos a viver.

Não há nenhuma justificação para o encerramento de economias nacionais na base de preocupações de saúde pública, as quais podem ser resolvidas e deveriam ser resolvidas!

Há um processo de tomada de decisão muito complexo, o qual foi planeado bem antecipadamente. A partir da “autoridade central”, governos são instruídos a encerrarem suas economias e então, por sua vez, os governos instruem pessoas a implementarem engenharia social, a não se reunirem, a não terem reuniões familiares…

Essencialmente, o que não entendemos, e que é fundamental, é que a actividade económica é a base para a reprodução da vida real. Com isso quero dizer instituições, poder de compra das famílias, toda uma série de actividades, as quais tem-se desenvolvido no decorrer da história – a actividade económica constitui o fundamento de todas as sociedades.

E no que estas medidas tem resultado é uma crise maciça, na qual particularmente pequenas e médias empresas estão a ser precipitadas na bancarrota, milhões de pessoas ficaram desempregadas e em muitos países isto resultou em pobreza maciça, fome, entre certos grupos da população.

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Temos ampla evidência deste efeito e temos de entender que este processo de encerramento de economias nacionais é deliberado. É um plano. E é coordenado com a crise financeira ocorrida no mês de Fevereiro (2020), a qual levou a um colapso maciço em instituições bancárias, mercados de acções e assim por diante. Economistas, os convencionais, têm uma tendência a dizer que não há relacionamento entre a crise pandémica do coronavírus e o crash financeiro em Fevereiro. Isso é absolutamente errado. A campanha de medo e a campanha de desinformação facilitaram a manipulação do mercado de acções. E estamos a falar acerca da utilização de derivativos muito refinados, instrumentos especulativos, etc

O que está a acontecer agora é que governos têm estado endividados até às orelhas. Eles estão a pagar compensação a companhias que foram afectadas; em alguns casos são generosos salvamentos externos (bailouts), em outros casos é parte de uma rede de segurança social vindo em resgate de trabalhadores e empresas em pequena escala.

E a fase seguinte é a mais grave crise de dívida da história mundial. Por outras palavras, os níveis de emprego afundaram e companhias estão na bancarrota. Teremos uma crise orçamental do Estado. Assim, um declínio dramático nas receitas fiscais (sobre o rendimento) devido ao colapso no emprego, e as companhias (as que não foram à bancarrota) irão naturalmente deduzir as perdas corporativas nas suas declarações fiscais. Como é que os governos por todo o mundo continuarão a governar, financiar programas sociais e assim por diante?

Em última análise, será através de uma gigantesca operação de dívida global implementada tanto nos chamados países “desenvolvidos” – por exemplo, Itália, França, Estados Unidos, Canadá – como nos países em desenvolvimento onde actuarão mais as instituições financeiras internacionais, como o Banco Mundial, o FMI, os bancos de desenvolvimento regionais.

Agora, o problema dos governos ocidentais é que esta dívida não é reembolsável. O governo italiano emitiu obrigações com o apoio da Goldman Sachs e assim por diante; isso foi feito há alguns meses atrás. E o que aconteceu? A dívida da Itália está classificada (pela Standard & Poor)… e estes títulos italianos são classificados como ‘BB’, o que significa essencialmente o estatuto de junk bond. Por outras palavras, isso significa que todo um aparelho estatal está agora nas mãos dos credores. E estes credores são as instituições financeiras, os bancos e assim por diante.

E a etapa seguinte é em última análise a confiscação do Estado! O Estado será privatizado. Todos os programas obedecerão ao leme dos credores. Podemos dizer “Adeus” ao Estado Previdência (welfare state) na Europa ocidental. Por que? Porque os credores de imediato seguirão o que fizeram na Grécia poucos anos atrás… Imediatamente imporão medidas de austeridade e a privatização de programas sociais, a privatização de qualquer coisa que possa ser privatizada – cidades, terra, edifícios públicos…

Por outras palavras, estamos a viver uma evolução muito importante porque o Estado, tal como o conhecemos, deixará de existir. Ele será dirigido por interesses da banca privada os quais – e já estão a fazê-lo – nomearão seus governos, ou seus políticos, seus políticos corruptos e no essencial tomarão conta de toda a paisagem política.

Isso é o que está a acontecer num certo número de países. E em alguns países eles instruíram mesmo o governo a não debaterem (no parlamento) as enormes dívidas que foram acumuladas nestes últimos meses em resultado da pandemia, as quais agora são o objecto de financiamento destas poderosas instituições financeiras. No Canadá houve um acordo entre o primeiro-ministro Trudeau por um lado e o líder da oposição – nenhum debate no parlamento sobre os US$150 mil milhões da dívida, a qual tem de ser coberta através de operações de dívida pública e empréstimos de instituições financeiras.

No essencial o cenário que estamos a viver, o qual está a desdobrar-se, é que por um lado a economia real no decorrer dos últimos meses a partir de Março, bem, de facto, a partir de Fevereiro com o crash do mercado de acções, está num estado de crise, a actividade produtiva tem ser afectada, o comércio foi afectado. Milhões e milhões de pessoas estão a ir para o desemprego, sem ganhos, e isto não é apenas pobreza – é pobreza e desespero. É a marginalização de grandes sectores da população mundial em relação ao mercado de trabalho. Há números sobre isso, publicados pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) que de facto, nesta fase, é prematuro começar mesmo a estimar os impactos.

Podemos examinar país por país. Podemos ver, por exemplo, que nos países em desenvolvimento o sector informal, digamos que a Índia ou certos países da América Latina, tais como o Peru, um grande sector da força de trabalho está no chamado “sector informal”, auto-empregados, indústrias em pequena escala e assim por diante. Bem, isto foi completamente liquidado e as pessoas afectadas são muitas vezes deixadas sem abrigo. A única opção que elas têm é voltar às suas aldeias de origem e neste processo são vítimas de fome e uma situação de marginalização total.

Este é o cenário. Está para além da pobreza global. É desemprego em massa. É algo que foi engendrado, não é algo acidental. E certamente não é alguma coisa que foi utilizada para resolver uma crise de saúde global.

A crise de saúde global relativa ao Covid foi multiplicada. Pessoas foram confinadas, elas caíram doentes, perderam seus empregos e, ao mesmo tempo, todo o aparelho da saúde tem estado em crise, incapaz de funcionar.

O que temos de entender é que este processo tem de ser confrontado! Tem de haver uma oposição organizada. Isto é um projecto neoliberal! É neoliberalismo ao extremo.

Agora, considere-se que hoje o que se verifica é que sob certos aspectos o crash do mercado de acções utilizava instrumentos especulativos, trading de iniciados (insider), mas também a campanha de medo para implementar aquilo que é a mais significativa transferência de riqueza da história mundial! Por outras palavras, todos perdem dinheiro no crash do mercado de acções e o dinheiro vai para as mãos, como sabe, de um número limitado de bilionários. E tem havido estimativas quanto ao enriquecimento desta classe no decorrer dos últimos três meses. Não vou entrar em pormenores. De modo que isto, num certo sentido, esta crise de Fevereiro, a crise do mercado de acções, estabelece o cenário para o confinamento.

E quanto ao tópico do confinamento, podemos chamar isto por um outro nome. O confinamento é o encerramento da economia global! É um acto que instrui governos nacionais a encerrarem sua economia – e eles obedecem! Isso é o que chamamos “governação global”. Mas é um projecto imperial. Eles obedecem e encerram tudo.

E a seguir tentam convencer seus cidadãos de que isto tudo é por uma boa causa, estamos a encerrar a economia de modo a que possamos salvar vidas devido ao Covid-19. Trata-se de uma declaração muito forte e, ao mesmo tempo, as estatísticas sobre o Covid-10 são a fonte da manipulação.

Não entrarei nesta dimensão particular mas posso dizer com toda a certeza que o impacto desta crise é tão dramático, a crise económica, que ela não se compara ao impacto do Covid-19, o qual, segundo mesmo pessoas como Anthony Fauci, é comparável à gripe sazonal. Eles têm escrito isso em seus artigos revistos por pares (peer-reviewed).

O que eles dizem online, na CNN, é um assunto diferente. Mas não consideram o Covid-19 como um perigo supremo entre todos os perigos. Não é. Há muitas outras pandemias de saúde a afectarem o mundo. Isso não significa que não deveríamos considerá-la seriamente mas deveríamos entender, é de senso comum, que não é pelo encerramento da economia global que ser irá resolver esta pandemia.

Então, alguém está a mentir, em algum lugar. E de facto, as mentiras estão a “tornar-se a verdade”, estão a tornar-se parte do “consenso” e isso é extremamente perigoso.

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Porque quando a mentira se torna “a verdade” não há volta atrás.

E percebemos como cientistas independente, analistas independentes, estão a ser censurados, que temos muitos médicos e enfermeiros e cientistas, virologistas bem como economistas que estão a dizer isso de modo explícito. E basta olhar para os números, os milhões e milhões de pessoas que estão desempregadas em consequência disso.

Portanto, o que realmente precisamos é de uma compreensão histórica do que se está a passar, porque fechar a economia através de ordens vindas “algures lá de cima”…

Em primeiro lugar, isto é diferente de qualquer crise anterior. Mas, em segundo lugar, temos de resistir a este modelo. E não é pela mudança do paradigma, não. É um movimento de massas; é um movimento de massas contra os nossos governos, é um movimento de massas contra os arquitectos deste projecto diabólico…

E não podemos pedir aos Rockefellers: “Por favor emprestem-nos o dinheiro” para pagar as nossas despesas, temos de o fazer por nós próprios.

E é por isso que todas estas ONG, que são financiadas por fundações corporativas não podem… Não estou a dizer… algumas das coisas que fazem são boas, mas não podem fazer campanha contra aqueles que as patrocinam, isso é uma impossibilidade.

Assim, temos de implementar um movimento de base, a nível nacional e internacional, para confrontar este projecto diabólico e para restaurar as nossas economias nacionais, as nossas instituições nacionais. E, para negar a legitimidade do projecto de endividamento. E investigar os elementos de corrupção que conduziram a esta aventura diabólica, a qual está a afectar a humanidade na sua totalidade.

Isto é uma guerra contra a humanidade, implementada através de instrumentos económicos complexos.

Adeus e continuaremos a nossa batalha e a nossa análise o melhor que pudermos no Global Research.

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