A novilíngua neoliberal no seu esplendor

Por: João Rodrigues

  • Não se diz patrão, diz-se empreendedor.
  • Não se diz direito do patrão, diz-se flexibilidade laboral.
  • Não se diz direito do trabalhador, diz-se rigidez laboral.
  • Não se diz capitalismo, diz-se economia de mercado.
  • Não se diz regra ambiental, diz-se barreira ao investimento.
  • Não se diz especulação, diz-se arbitragem.
  • Não se diz predação financeira das empresas, diz-se criação de valor para o accionista.
  • Não se diz soberania, diz-se fechamento.
  • Não se diz perda de soberania devido à UE, diz-se partilha de soberania na Europa.
  • Não se diz perda de controlo democrático, diz-se abertura.
  • Não se diz controlo de capitais, diz-se repressão financeira.
  • Não se diz redistribuição de baixo para cima, diz-se mercado livre.
  • Não se diz socialização dos prejuízos da banca, diz-se resgate ou resolução.
  • Não se diz controlo da política monetária pelo capital financeiro, diz-se banco central independente.
  • Não se diz justiça social, diz-se inveja.
  • Não se diz regressividade fiscal, diz-se incentivo.
  • Não se diz progressividade fiscal, diz-se confisco.
  • Não se diz construção política de instituições económicas, diz-se ordem espontânea.

Há muitas mais coisas que devem ser ditas quando se pretende ofuscar ideologicamente a realidade.


  • Não se diz opinião paga por grandes interesses económicos, diz-se opinião independente.
  • Não se diz panfleto europeísta, diz-se jornal de referência Público.
  • Não se diz destruição e crime económico (aquilo que a Troika fez aos do sul, especialmente à Grécia), diz-se solidariedade europeia.
  • Não se diz propagandista, diz-se Camilo Lourenço; Helena Garrido; Manuel Carvalho; João Vieira Pereira.
  • Não se diz zona monetária que não funciona, diz-se mais Europa.
  • Não se diz crime de guerra, diz-se libertação dos povos oprimidos.
  • Não se diz roubo de petróleo e outros recursos naturais, diz-se odioso ditador Maduro.
  • Não se diz odioso regime Saudita, diz-se grande aliado do Ocidente.
  • Não se diz organização belicista, diz-se NATO.
  • Não se diz organização anacrónica, diz-se FMI.
  • Não se diz organizações sem legitimidade democrática e sem escrutínio da população, diz-se Comissão Europeia e Banco Central Europeu.
  • Não se diz mais de uma década perdida, empobrecimento, precarização, regressão e transferência da riqueza da base para o topo, diz-se reestruturação da economia.
  • Não se diz exploração laboral, diz-se moderação salarial.